22 janeiro 2006

11 meses

11 meses. Já se passaram 11 meses. Há um ano (21 de Janeiro, é que comecei a escrever às 23h50, só que isto de criar um blog tem as suas vicissitudes) não suspeitava que 11 meses pudessem comportar tanta coisa: pai, marido, desempregado, desequilibrado, cansado, atarefado, incompreendido, esgotado, gozado, discriminado e apoiado.

1) Pai. Sou pai de uma bebé linda, com os olhos mais puros, inquiridores e meigos que alguma vez vi (cliché, eu sei, mas a esta hora não consigo encontrar forma mais poética para descrever a minha pequerrucha).

2) Marido. Quando pensava que era um bom marido, eis que surge uma bebé para demonstrar o quão estava errado (desculpem lá, mas isto não é um cliché, porque está provado por estudos feitos pelas maiores universidades do mundo que um homem nunca admite que errou).

3) Desempregado. Nas vésperas do nascimento da minha filha (dois/três dias, acho!?), o meu chefe “anunciou-me”, em tom informal, que a empresa não me iria renovar o contrato (óptima notícia! Ainda por cima numa altura em que a cesariana tinha vindo a ser adiada há duas semanas).

4) Desequilibrado. Nunca pensei chegar a este ponto. O stress de arranjar um emprego, de ter um projecto rejeitado, de ajudar a minha mulher, de ver os meus erros expostos, de sucessivos azares, de ter medo, de andar entre picos de ansiedade e de euforia, de tudo …

5) Cansado. Dormir? Para quê? Quando não era por estar na hora da maminha, era por causa da chupeta. Quando não era por causa da chupeta, era porque estava sossegada. Tudo servia para acordar assarapantado (e o pior é que isto continua!). Mas não me queixo, o ser humano habitua-se a tudo…

6) Atarefado. Tudo anda num corrupio. Desde que estou a colaborar com um site de amigos (PUB: www.g4mers.com), que isto anda mais intenso: filha, louça, roupa, filha, vendas, editar, filha, fraldas, cama, filha, arrumar, limpar, filha, boleias, compras, filha, xixi, cocó, filha, banho, gata, mulher e filha (já disse filha?).

7) Incompreendido. Curioso que as pessoas que julgamos mais próximas, são as que menos nos compreendem: pais, mães, avós, amigos, familiares, todos os que nos rodeiam. É incrível como as pessoas se esquecem de como é ter filhos bebés e como é difícil de compreender o que é ter um bebé quando não se tem (eu também já fui assim).

8) Esgotado. Eu já disse como isto é cansativo? Como é stressante? Como é difícil lidar com os que nos são mais próximos e connosco? Como nos causa desequilíbrios? Como é exigente? Como passamos as passas do Algarve (nunca percebi esta expressão idiomática, mas soa-me sempre bem. C’um catano!)?

9) Gozado. Sim, já fui gozado com olhares (só porque passeava orgulhoso a linda mochila cor-de-rosa, com uma tartaruga desenhada, da minha filha), com expressões (as minhas olheiras chegavam aos tornozelos) e com atitudes (digo-vos as atitudes de algumas pessoas só mesmo se for a gozar, porque se não forem… tristes vidas).

10) Discriminado. Será que os nossos queridos governantes e empresários, que prezam tanto o conceito de família, ainda não concluíram que para esse conceito perdurar é necessário aumentar os dias de licença parental e de paternidade. Cinco dias no primeiro mês e quinze dias após da licença de maternidade não servem para nada!

11) Apoiado. Parece surreal, mas fui apoiado. Por quem? Pela minha mulher. Esteve sempre comigo e eu com ela. Não estou a falar de apoio financeiro, de alimentação, nada disso. Estou a falar do psicológico, do emocional. Aqueles que nos sustentam. No fundo, descobrimos que tudo se resume a nós. Milhões de anos de evolução e tudo acaba no casal.

(Este foi longo, mas é porque serviu de contextualização. Os próximos serão mais pequenos. Aliás… não tenho muito tempo.)

1 Comments:

Anonymous B said...

Rui, amigo, o povo está contigo!

22 janeiro, 2006 18:02  

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