23 janeiro 2006

Teletrabalho sem apoios

«O único programa que permitia às empresas inscreverem-se e receber benefícios fiscais para contratar pessoas em regime de teletrabalho, acabou o ano passado», disse com simpatia (sem ironias, a senhora foi mesmo simpática) a senhora do Centro de Emprego. «Agora só pessoas com deficiências», acrescentou, deixando-me de boca aberta a olhar para a minha filha e com um telemóvel na mão.

O pior disto tudo foi a resposta à pergunta básica: Porquê? «Porque houve poucas empresas a aderirem a este programa, ou quase nenhumas, e o Estado decidiu cancelar o programa.» Ou seja, como as empresas portuguesas preferem criar cartões para controlar as idas às casas-de-banho, do que ter um profissional produtivo a trabalhar a cem quilómetros das tais casas-de-banho, o Estado decide acabar com a única ferramenta que era capaz de mudar um pouco as mentalidades dos senhores inspectores (desculpem, empresários. Onde ando eu com a cabeça!).

Claro que isto foi à terceira tentativa… Explico. Há cerca de duas semanas convidaram-me do Centro de Emprego para ir saber que coisa era aquela dos Estágios na Administração Pública. Como bom desempregado, lá fui ver que coisa era aquela que só serve para tapar os olhos às pessoas que vêem as estatísticas do desemprego nos órgãos de Comunicação Social.

Chegado lá, apresentaram-me um dossiê com um molho de páginas para eu ver, o site do Instituto de Emprego e Formação Profissional (uma verdadeira aventura para os mais distraídos e não só. É incrível como se consegue complicar o que de si já é complicado.) e outros que tais. Assustado (mas com as antenas ainda no lugar), lembrei-me de perguntar ao senhor que lá estava se havia apoios para quem quisesse trabalhar em casa e apoiar a família.

Espantado com a pergunta, tentou ajudar-me a perceber o que é incompreensível: o site do IEFP (se repito isto, é porque o site é mesmo mau). Passado algum tempo (o que para mim é muito. Desde que tive a minha filha “algum tempo” é igual a “muito tempo”.), sugeriu-me passar na Câmara de Palmela para falar com ele e tentar resolver melhor a situação, porque naquele momento não me podia ajudar.

Foi o que fiz. Apareci na CMP no dia combinado e ele lá telefonou para o Centro de Emprego. Soube um nome, passou-mo e disse-me que bastava ir lá e marcar uma reunião individual com a tal Dra. (curioso que no Centro de Emprego são todas Dras. Mais curioso, a única pessoa que me esclareceu não era Dra…). Fui, marquei, soube que a reunião era colectiva e que já tinha ido a uma (não pude desmarcar porque entretanto o Centro fechou), mas consegui falar com a Dra, que me encaminhou para a não-Dra.

No meio disto tudo, perdi uma manhã, duas tardes e resolvi o meu problema só com um telefonema. Viva! O que vale é que foram todos muito simpáticos no Centro de Emprego de Setúbal (e estou a falar o mais honesto possível. Todas as pessoas com quem falei, nunca se recusaram a esclarecer-me e mostraram sempre total disponibilidade para me ajudar. Um verdadeiro serviço público. Pena é a confusão de cargos e áreas).